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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

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Sem sesta nem festa, seguimos caminho, longa estrada a nos separar. Na segunda encruzilhada, fiquei no caminho. Por estar sem norte, minha agulha apontava pro sul, contrária à do meu amigo, que, rasgando a caatinga, rumava a Piancó. Ali nos separamos, em aperto de mão e de coração.


Quando dei por mim, tremi, paralisei. O átrio da igreja, o baile perfumado, a praça, o vazio que me habitava, tudo me preencheu qual avalanche que chega em desatino, redemoinho que entorta nosso destino.


Meu peito arcaico, incendiário, me aprumava do jeito que dava. Tudo era perto, era longe, nuvem de poeira em pleno asfalto, embaralhando minha visão, neve Himalaia em meu tórrido coração.


Sertão virando mar, lágrima nordestina evaporando em pleno ar.


Respiro, me componho, me ajeito, madeixas agora ao vento, em Diadorim já sendo desfeito.


Encruzilhada movimentada. Caminhos que se cruzam e nunca mais se veem, destinos que se tocam, tangenciam, arranham, minha pele, minha borda, território que me fiz, precipício por um triz, a me lançar, a me jogar, mundo inteiro a me esperar.


Vestida nua e crua me arremesso, catapulta desvario a varar o que a mim me chega.






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