Buscar
  • Fernando Braune

Ritos de Passagem (Memórias Abertas de Charlotte)

IX

Salve meu meu Santo Guerreiro, evoé meu querido Orixá! Com vocês eu vou, contrita, irrestrita, sou fé. Magra, apertada em cabine avantajada. Pouco caibo em mim, nada sei do que espera por mim.


Vou! Na porta agarrada, sugiro assunto. Me dou conta do moço calado, sertão Paraíba, no seco da prosa, na pele cravada, de chão e de pó, da brisa que falta, do olho que salta.

Primeira parada. A fome já me consome e vamos comer. O circo insiste e ali nos armamos. Panelas pra fora, fogão jacaré, tudo pensado, medido, articulado.


Mais uma vez, sou eu forasteira, que vem e que passa, estranha, apanha do que não sei.

Comemos juntos e contamos algo um do outro.


Passei a saber que caminhoneiro também leva a solidão do picadeiro, sua estrada é caravana endereçada, seu sorriso é partida e chegada. Num piscar de olhos, bota tudo a perder, salto mortal sobre rodas.


Quanto a mim, o intriguei. Moça que sai do mato, segue com circo, foge no calor da noite e se joga procurando mundo, mundo que a acolha com quentura de avó cheirando a manacá.


Coragem é coisa que dá e passa!!



1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo