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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

LIV

Há sessenta e três anos derrubei as cercas do meu quintal. Deixei minha aldeia, minha gente, meu país. Saí sem saber quem eu era. Pretendo achar que agora sei.


Saí triscando a mata, singrando as curvas do “Urubu” que, transbordando de meus poros, me levou além mar. Águas! Asas que sustentam meus voos indefinidamente!


Da minha aldeia fiz meu universo. Dela saí, mas com ela prossigo na lida. Fiz dela semente de meu arvoredo que germinou em floresta. Nela, calo meus gritos, sereno ânimos, agito calmaria! Com ela escuto meu riso de menina, brincadeira na esquina. Que me levam. Me dizem o que fazer de mim.


Nessa ensolarada tarde de outono, sentada só, vejo o “Tejo” lá embaixo passando... passando a limpo a minha vida. Temida. Chorada. Sentida. Sorrida.


Um sorriso de canto de boca guardado no cofre se esboça em mim.


Lá vou eu flertando com a vida...



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