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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

LIII

Na Alfama sou Charlotte. “Guerreira livre, junto ao povo”. A Rosa ficou no caminho. Pelo menos aquela de lá. Sem volta. No rio de minha intensa vida, aquelas águas não serão mais pisadas. Mas, sim. Vez em quando, refrescam minha mente. Assolam minha alma!


Tento. Me esforço. Uma nuvem, um véo translúcido cobre a minha gente. Rostos que eram parte de mim se esvaem distorcidos, tremidos. Busco o foco... em vão! Halo nebuloso emana dos rostos. Auréolas de luz cingindo o sagrado. O que há de mais sagrado!


Vozes me chegam ao vento. Brisa leve, preciosa. Lembrando histórias distantes. Tão distantes do mar! Eu, que agora sou um rio de mar. Recebo em vigília. Colo de mãe adubando semente de filho. Que um dia vai... do ninho.


Respiro mais fundo. Ar rarefeito. Arrisco meu mais puro desejo. Flor de manacá! Se achegue. Adentre. Tome conta de mim. Brote em meu canteiro. Faça de mim seu ser por inteiro.


Sentinela de mim mesma, eu quero é mais!



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