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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

L

Dois anos de bistrô. Muitas mudanças, avanços. Fixo no “cardápio”, somente o cego Nuno.


Acordo assustada. Lucas em minha porta. Olhos marejados. Acabava de morrer a sua única irmã. Retorno imediato ao Brasil, nos braços da sua mãe, agora só. Me vi só, tocando o bistrô. Boxer pegando um bibelô.


No telefone, Lucas diz não mais voltar. Peço um tempo. Decidimos tudo passar. Não estranhei. Sempre estive “de passagem”, sempre uma bagagem. Qual carrinho rolimã, rolo na vida sem freio nem direção. Só emoção!


Meu último dia no bistrô. Bebo absinto. Sou Inês de Castro, em mares nunca d’antes navegados, sem armas nem barões assinalados!


Já sinto saudades das talassas, dos bacalhaus, dos vinhos verdes, das igrejinhas. Mas, sobretudo, saudades do Nuno, minha pérola mais preciosa, um dia ostra perdida em seu oceano abissal.



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