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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XLVII

Adam e Nicole, grandes amigos nossos suíços, me convidaram para gerenciar uma de suas casas noturnas que fica em Lausanne. Meses pensando e me recuperando. Proposta aceita.


Confesso a imensa dificuldade em deixar Paris, depois de tantos anos maravilhosos. Cursos. Amizades. Conhecimentos. No Velho Mundo, tudo foi novo pra mim.


Percorri a cidade. Seus parques, ruelas, entranhadas em mim. Gerânios, girassóis. O pôr do sol. O último raio de sol. Sozinha em Montmartre vejo lá de cima os pontinhos de luz na cidade a surgirem. A noite chega... dentro de mim.


Tantas perdas acumuladas. Transformadas em ganhos. O que passou pela minha vida soprou como vento a me navegar. O que veio de baixo sangrando coração, se fez oração. Meu rastro, fiz manto sagrado. Abraço apertado. Luta renhida, de toda uma vida.


Paris é vida! Luz! Relicário de minh’alma!



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