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  • Fernando Braune

Ritos de passagem (Memórias Abertas de Charlotte)

VIII

Em passo tímido, dobro à esquerda, que me leva à estrada de onde nunca vim. Por instantes, sem régua ou compasso, esqueço de mim, esqueço de tudo, me viro do avesso, me trago um começo, sem meio nem fim.


O vento meu guia, o sol minha sina, pó, poeira, pé na estrada. A certeza que levo é a de que sempre estou de partida, sem saber onde vai dar, sem saber onde chegar.


Estando só em estrada deserta, incorporo Diadorim, cabelo amarrado, chapéu encaixado. Finjo não ser do que me sobra, finjo não ver do que me resta, uma fresta...


Na distração do não, sou abordada por caminhoneiro que para, pergunta, estranha, elabora. No susto do sim, respondo, estranho, elaboro.


Pés escaldados na boleia do caminhão. Quentura do acento em vento morno, me traz frio na espinha. Silêncio quebrado, conversa fiada, sem nada, ou quase nada. Não ouço, sou olhos, só olhos, aos Santos, fitas, patuás, balé esquisito no espelho, com a bênção do meu Orixá.


São Jorge e Ogum, vou eu Evoé por aí!!




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