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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XLIII

Chegando do cabaré, carta no sopé. Gelei vendo selo brasileiro. Notícia fresca. Coração gelado. Morreu a vó. Me sinto Só! Sem eira nem beira. Pena esvoaçante ao sabor do vento. Sem pertencimento!


Não conseguia chorar. A dor era maior. Mesmo longe, a vó era o pilar. A asa que me fazia voar. Lanterna na escuridão. Aflição!


Nunca quis acreditar. A minha vó faltar. A cada conquista, a cada passo adiante, o balanço do remorso do deixar com o de conquistar.


Nove anos se passaram desde que entrei naquela canoa sem conseguir me virar para o último adeus. Ah, Deus!! Choro esse dia. Todo dia.


Parti pra nunca mais. Cigana da mata. Pulsação inata!


Parti meu coração. Com a linha do equador o costurei à mão!


Busco e sempre buscarei a vó. Eterna presença a rolar em minhas veias. Farol que me alumia. Minha estrela de guia!



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