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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XXXVI

No caminho pro aeroporto eu parecia mais um “vivo morto”. Um nó na garganta. Um talo. Um grito parado no ar. Sensação de não respirar.


Não deixava uma cidade, um país. Deixava uma vida. Olhava tudo com tamanha atenção, como se soubesse a última vez. E foi! Por onde passava, só emoção, já era recordação.


Cheguei pensar em recuar, jogar tudo pro ar e ficar. Tarde demais! Vida que segue. Semente de hoje é fruto do amanhã! Dessa história conheço. Já deixei minha gente, carreguei minhas cruzes, acendi tantas luzes!


No carro a caminho, tudo é silêncio. Quando olho pro céu, a pedir consolo, a igrejinha da Penha me avista. Suas luzinhas como um colar de pérolas me abençoa, me abraça e me deixa pronta pro voo. A última visão do solo do meu país. Confesso que foi por um tris!!


O rastro que vem comigo é de chão de terra batida, do pó da estrada vivida. Eterna presença do que foi e do que virá.



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