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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XXIV

Deus me proteja e guarde!


Tardinha escurecida de domingo, distraída, espalhada pela cidade, retorno à pensão. Subindo a rua sinto o tempo em suspensão, sombra de Nagib em meu coração. Moço bonito em conversa com dois outros.


Sem perceber, paro no bar do seu Miguel pra uma coalhada. Parada estratégica. Esgarço o tempo, comprimo o espaço, me recomponho do descompasso.


Respiro, olho. Me olha. Disfarço, encaro, saio. Pegadas em meu encalço. Acelero, congelo. Sou pega. Socorro!!! Briga de cachorro grande, de dar em jornal. Ao me ver, Zito, mendigo da rua, se atraca, se embola, deita e rola.


Salva, em frangalhos, fito o Zito e me vejo no espelho. Nos braços do abandono me vejo salva. Nas abas da desigualdade me vejo amparada.


Do assalto, me dei conta de que perdi meu patuá. Do assalto, me dei conta de que ganhei um orixá. Que me protege e guarda.






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