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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XXIII

Há sempre uma primeira vez. E foi para sempre! Cine AZTECA, rua do Catete. Roupa de domingo, perfume barato, sapato apertado. Adentrei a sala escura como quem tateia um tesouro. Sim, um tesouro!


“A Estrada da Vida” me levou ao mundo de Fellini, de onde nunca mais saí. Gelsomina era eu. Tragicômica, inacabada, do circo palhaça, achada em praça.


De Fellini sou sonho, sou verdade. Freira, sou puta. Sou reza, blasfêmia. Surreal encantamento com o pouco, o miúdo, o que há de mais precário, ao que cheira libertário.


Vida de filme, a minha: roteiro pronto, editado, decupado, acabado. Vida estranha, a minha: rego, não colho. Subverto, acato. No acesso, crio abscesso. Atravesso universo do meu quintal. Remoendo até o osso, sou carne de pescoço.


Minha vida felliniana, adubada no bagaço da cana!



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