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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XXII

Tarde fresca, chega à pensão Etelvina. Parecia uma menina. Frágil, vinda do interior do estado. Relutou nos dados. Algo pairando no ar. Vi, me compeli, ajudei, arrumei.


Telefonemas, frases curtas, indagações sem respostas. Comida no quarto, conversa era um parto. Forasteira que sou, peregrina no sangue, me crio até no mangue.


Estreitei contato. Apertei o cerco. Captei atalho, sem embaralho. Frágil, desmaia. Aborto a caminho, sem ninho. Ambulância, hospital, dando em óbito.


Então, percebi. Vida é gota no tempo, cisco no firmamento. Frágil que nem paixão, ouro de aluvião. Grito parado no ar, mas também é fogo de não se apagar.


Sacudo a poeira. Vou tratar de viver! Vou tratar de me ver!



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