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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XXI

Minha vida é osso, por isso mesmo tutano. Resisto e sigo. Coração sangrado, apertado à garganta, não retira meu brilho no olhar. O pulsar no recomeço diário é incremento na fé, certeza de que tudo vai dar pé.


No retorno da xepa da feira, um novo ambulante habitou meu caminho. Vendia livros. Vendia sonhos. Eu comprava livros, me embalava em sonhos. Contato imediato, antecipando tempero à compra da xepa.


Mais do que ir à feira, passei a desejar, ansiar por ela. Ao vazio da solidão, um dilúvio de emoção. Mais do que conversas, fabulávamos, íamos onde nem imaginávamos. O meu deleite de então...balão em céu de São João!!


Das constantes surpresas, uma me acachapou para todo o sempre. Ali fui apresentada ao “Grande Sertão; Veredas”. Ali vi minha vida aumentada, expandida, tecida no verbo, forjada na terra.


O “Grande Sertão” de ”Rosa” me atravessou, me fez noite luzidia. “O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”.



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