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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XX

Dos muitos que pela pensão passaram, Nacib e seu filho Nagib me arrebataram. Paulistas libaneses, no Rio a negociar tecidos. Negócio grande, meses na pensão, intimidades no coração.


Nacib com fala baixa e mansa carregada no sotaque, me levava ao pai que nunca vi. Nagib foi chegando de mansinho. Olhos de turmalina, cheirando a cedro, príncipe das arábias.


A intimidade nos levou a encontros às escondidas domingos à tarde na praça do Lido, em Copacabana. Era quando e como podíamos. Tardes que nunca terminaram, regadas a beijos e sorvetes de tapioca.


Negócios findados no Rio, fim de nós dois. Como de um súbito, me vi novamente só. Meu príncipe para sempre desapareceria de meu reino encantado.


Outras tardes de domingo voltei à Praça do Lido. Sentei no mesmo banco, mesmo sorvete...só! A tapioca perdeu para sempre o seu encanto. Até um dia em que a lágrima quente derreteu parte do sorvete e do meu coração. Não voltei mais à praça. Ela que nunca mais me deixou.


Apesar de lutas inglórias, minha ternura não ficou no pó!





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