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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

XIV

Qual um Ilhéus, rochedo isolado no mar, cá estou eu no centro histórico, onde tudo acontece. Em meio a boêmios, marinheiros e jagunços, eram os coronéis do cacau os mandatários.


Acostumados às trocas de favores, fui envolvida no clientelismo costumeiro ao ter conta paga no café onde comia. Agradecida, fui seguida. Recado de jagunço a ver o coronel.


Noite enluarada, mesa posta, me encosta. Sigo arredia, noite quente, clima frio. Me pega, me leva.


Casa estranha, cheira a mofo e veludo, exala álcool, emana fumo. Atenta a tudo, vasculho recurso, embalo conversa, vislumbro saída.


Finjo que bebo, aceito carinho, insisto no papo, licor de jenipapo. Pelas tantas, beba do álcool, bêbado incauto, bêbado, bêbado.


Me aprumo no quarto, pego minhas tralhas, de vingança as migalhas. Pé na estrada.


É noite enluarada! “O mesmo pé que dança um samba se preciso vai à luta”.



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