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  • Fernando Braune

Ritos de passagem(memórias abertas de Charlotte)

V


Mar de vida, com tudo o que ela pode prover. Salto sem rede, sem eira nem beira. Vida que se fez minha, abraçada em trupe, tomando as cidades como cidadelas minhas. Fiz, de cada lugar, fortalezas ocupadas. O excesso era no dentro, como se eu quisesse preencher, de uma só vez, todo o vazio que a mim me pertencia, desde sempre. Na vertigem do alto, a compulsão pelo salto. Saltei!


Invernia que fosse, a quentura do vulcão não se desfazia, em brasa ficava, morada da plenitude do sonho infinito. Ali era eu, menina do mato na ponta da agulha, na correnteza das horas, o tempo como viagem, de ida, sem volta.


Nada tinha volta! A flecha uma vez partida, avança à mira, segue seu rumo, galope à beira mar, infinita viagem, de luz e trevas.


Em circo, tudo é fatal! Não há meio termo, meias passadas. É o circo imitando a vida, picadeiro sem lona, corda bamba sem rede, malabares de sinal de trânsito.


Na vida, assim como no circo, não há outra escolha: ou se vai ou se fica!



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