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  • Fernando Braune

RITOS DE PASSAGEM (memórias abertas de Charlotte)

Não sei se algum dia pus os pés na terra. Sim, digo os pés plantados, os dois, capazes de marcar o chão ao pisar, de fazer ferida na alma, qual pisar em pés descalços na faixa preta do chão em pleno verão.


Naqueles meus dias, quando pouco me sabia, saia plissada azul colegial, vendo minha vó ao longe, passos curtos e lentos, em direção à escola a me buscar, jamais imaginaria o futuro que me aguardava. Mas entendo hoje que o silêncio que me habitava ao lado de minha vó, cercado de um amor incondicionalde certa forma me fez quem sou hoje.


Silêncio não de palavras, prosa ... não, isso não faltava. Era um silêncio de excesso, excesso do que me faltava, criando um buraco que me deixou sem chão, por isso não ter sido capaz de pisa-lo, de fato, jamais. Assim, flutuei pela terra! De tão flutuante, solta e sujeita às “intempéries” da vida, lancei-me no vazio, nos braços do mundo, tentáculos espichados de onde o olho nem sequer alcança.


Charlotte me passei chamar, em um daqueles dias de distração, quando, desatentos e frouxos, encontramos caminhos inesperados, que nos levam longe do que pensávamos ser. Na distração da Rosa, virei Charlotte. Até hoje não consigo resposta para saber o que tem a Charlotte da Rosa e o que a Rosa guarda da Charlotte.

São muitas as cores do arco-íris!




#fernandobraune

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