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  • Fernando Braune

III

Era um domingo de sol, quando deixei minha vó e sua prima com quem morava. Calor intenso do norte, mas o suor era de dentro, do fundo de minhas entranhas. O seu cheiro no abraço final ainda exala em minhas narinas, pois sabia que, possivelmente, seria nosso último abraço! E foi!

Ao fechar o portão, minha coragem foi pouca em olhar pra traz. Ela só veio tantinho depois, quando já dentro da pequena canoa em que deixei minha casa, minha avó já não estava mais. Ficou o aperto, a quentura, o cheiro de flor de manacá que me habita.


Pelas curvas do rio pensava em meu passado líquido, tomando a forma de cada recipiente que a mim chegava, só o volume sendo constante. Líquido em sua tensão superficial e profunda! Líquido que se transformou em gás, etéreo que ficou ao subir às nuvens com o meu trapezista.


Tudo era emoção! Tudo era leveza, leveza de balão!


Esqueci! Esqueci que há de ser anjo para permanecer nas nuvens!




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