Luis Justino: Uma Atrocidade Histórica

 

Há anos desenvolvo ensaios fotográficos e participo ativamente da vida dos moradores da Comunidade da “Grota do Surucucu”, em Niterói. Nessa comunidade, houve o desenvolvimento de projetos culturais de extremo alcance para a comunidade, dentre eles, a criação da “Orquestra de Cordas da Grota”, composta somente por jovens da comunidade, os quais teriam poucas chances de socialização em nossa sociedade segregada, caso a orquestra não existisse.

 

No final de setembro de 2020, um dos membros da orquestra, o jovem Luiz Carlos Justino, ao retornar de uma apresentação, foi abordado na rua por policiais que o levaram para a delegacia e o prenderam posteriormente, por algo acontecido há anos, sem nada ter a ver com ele, quando ficou provado que, no momento do delito, ele se apresentava junto com amigos em um compromisso com agenda constante. Quatro dias encarcerado, em uma cela com dezenas de presidiários, sem saber o motivo, sem qualquer passagem policial e de bons antecedentes, foi o suficiente para mais uma hora de revisão de uma das maiores tragédias de nossa história, que se desdobra sistemicamente, até os dias de hoje: a “escravidão”.

A escravidão produziu a cultura da humilhação e tortura sociais, onde, a partir do profundo corte, exclusão de seu convívio, de sua esfera de relacionamentos, o escravo perdeu todo seu patrimônio social, a autoridade sobre a sua própria vida, a sua autonomia como um ser “humano”.

Vivemos, ainda hoje, assolados pela problemática da marginalidade daqueles que não são assimilados pelas políticas da cidade, sem o direito à palavra, à dignidade humana, sem qualquer legitimidade de seu testemunho, traços de desdobramento da escravidão, que fazem permanecer a vergonha diária em nossas vidas.

As chagas da escravidão no Brasil jamais sairão de nossas almas, nos colocando eternamente à sombra da “morte social” de um povo.

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Luis Justino: A Historic Atrocity

 

I have been developing photographic essays for years and I actively participate in the lives of the residents of the “Grota do Surucucu” community, in the state of Rio de Janeiroi. In this community, there was the development of cultural projects of extreme importance to the community, among them, the creation of the “Grota String Orchestra”, composed only by young people from the community, who would have little chance of socializing in our segregated society, if the orchestra did not exist.

 

At the end of September 2020, one of the members of the orchestra, Luiz Carlos Justino, upon returning from a performance, was approached on the street by police officers who took him to the police station and arrested him later, without having anything to do with him. Later on, It was proven that, at the time of the crime, he performed with friends in a commitment with a constant agenda. Four days in prison, in a cell with dozens of prisoners, without knowing the reason, without any police pass and with a good record, was enough for a review of one of the greatest tragedies in our history, which unfolds systematically, until today: “slavery”.

 

Slavery produced the culture of social humiliation and torture, where, from the deep cut, exclusion from their coexistence, from their sphere of relationships, the slaves lost all their social heritage, the authority over their lives as human beings.

 

We still live today, plagued by the problem of the marginality of those who are not assimilated by the city's policies, without the right to speak, to human dignity, without any legitimacy of their testimony, traces of the unfolding of slavery, which make daily shame remain. our lives.

The wounds of slavery in Brazil will never leave our souls, forever placing us in the shadow of the “social death” of these people.

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