Bacantes Cariocas

 

Neste trabalho me atenho à estética da imagem fotográfica para, através dela, fazer uma reflexão sobre o corpo das prostitutas nos universos urbanos paralelos da cidade do Rio de Janeiro, tendo como fio condutor o texto de “Bacantes” de Eurípides.

 

Mesmo indiretamente, o universo feminino permeia todas as ações de “Bacantes”. É através dele que Eurípides aponta para a sua cultura, buscando na exacerbação gestual feminina a ferramenta para a diluição das regras, para o questionamento dos limites.

 

Lançando mão de suas posturas e atitudes corporais dionisíacas, as Bacantes (o feminino), desarticulam toda a racionalidade apolínea do poder/estado (o masculino).

 

Em fluxos paralelos correm as águas das Bacantes cariocas: mulheres epicentros de terremotos, que decidem e tramam as suas próprias teias com os fios da transgressão, que, como Bacantes contemporâneas, andam à margem dos valores, alheias a quaisquer posturas pré-concebidas.

 

No exercício profissional preparam ritualisticamente seus corpos para o encontro, assumindo valores de intimidade e sedução, em linha com o patriarcado social vigente em nossa cultura.

 

A abordagem fotográfica de negativos densos “sangrados” pelas bordas, de cores saturadas pintadas à mão e inundadas de materialidade, de violentos contrastes do preto com o branco, persegue o universo ritualístico transgressor vermelho carmim dessas gregas prostitutas, travestidas de Bacantes... Bacantes cariocas!  

 

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Bacantes Cariocas (Bacchantes from Rio)

 

In this work I have focused on the aesthetics of the photographic image to reflect on the bodies of the prostitutes through images in the parallel urban universes in the city of Rio de Janeiro, having as a guideline the text from “The Bacchantes” by Euripides.

 

Albeit indirectly, the feminine universe seeps through all the action in “The Bacchantes”. It is through this universe that Euripides shows this culture, searching in the overplayed feminine gestures for the tools to dilute rules, to question boundaries.

 

By weaving their postures and dionysical body attitudes, the Bacchantes (the feminine), break up the appolinean rationale of the power/estate (the masculine).

 

The waters of the Bacchantes from Rio run in parallel flow: women who are epicenters of earthquakes, who make decisions and weave their own webs with the threads of transgression, who, like the contemporary Bacchantes, walk in the sidelines of values, unaware of any pre-conceived attitudes.

 

In their profession they ritualistically prepare their bodies for the encounter assuming intimate and seductive values, in line with the current social patriarchate in our culture.

 

The photographic approach of these dense images “bled” at the edges, with saturated hand-painted colors and filled with materiality, with violent black and white contrast, pursues the ritualistic transgressor carmine red universe of these Greek prostitutes, Bacchantes transvestites…

Bacchantes from Rio!