Elipse

 

Vejo a construção de um prédio como metalinguagem do homem contemporâneo urbano. Elipse, espiral em círculos contínuos reincidentemente sobre si mesmos no excesso barroco do gesto ascendente vertiginoso, andar por andar; desvios labirínticos, dobras sinuosas, perspectivas giratórias trabalhadas no limiar da vertigem, nas bordas dos vãos, traços das argamassas, caos reordenado na agitação a buscar saída que seja em um rastro, nesga, rasgo, réstia de luz no absurdo da própria vida.

 

Como no pensamento elíptico as imagens são construídas em movimentos sinuosos, camadas sobre camadas, exigindo um olhar de viés para desvelar as saídas labirínticas de cada uma delas.

 

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Ellipse

 

I see the construction of a building as metalanguage for the urban contemporary man. Ellipses, spiraling in continuous circles cast over each other in a baroque overflow of ascending vertiginous gesture, floor by floor, labyrinth deviations, sinuous folds, gyrating perspectives construed on the threshold of vertigo, on the edges of gaps, traces of mortar, chaos brought to new order in the tempestuous search for a new exit, be it in a trace, sliver, tear, light beam in the absurdity of life itself.

 

As in the elliptic thought, the images are built in sinuous movement, layer upon layer, demanding an oblique view to unveil the labyrinth exits of each of them.